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A pedido do Rodrigo Capella

04/05/2009

Vou escrever sobre um livro que não li, de um autor que não conheço. Como assim? É que recebi um pedido do Rodrigo Capella, que acaba de lançar o livro “Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia” (Clube de Autores, 157 páginas, R$ 30,35).

Este blog, Doutor Spin, foi lançado em março, ou seja, há dois meses, e já chegou a 1.200 acessos, para a minha surpresa. Não imaginava que o assunto “comunicação corporativa” tivesse tanta audiência. Por este motivo abro espaço para fazer o aviso para este nosso colega.

O release que o Rodrigo me enviou informa que o livro é “resultado de uma tese homônima que autor apresentou na PUC-SP em sua pós-graduação, em trabalho coordenado pela professora-doutora Marli dos Santos. Traz um estudo baseado em pesquisas e entrevistas com relações públicas, jornalistas, assessores de imprensa e estudiosos de comunicação, tais como Bernardo Kucinski, Inácio Araújo, Lauro Jardim, Luiz Zanin Oricchio, Manoel Carlos Chaparro, Nelson Blecher e Paulo Nassar, entre outros”.

Abro um grande parêntese. Destes jornalistas, além do Nelson Blecher, conheço bem o Zanin. Foi ele que publicou em 1994, a matéria em que anunciava que o então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, seria candidato a presidente por indicação (ou simples apoio) do Itamar Franco, presidente da República na época.

Eu era assessor de imprensa da Globosat, quando a diretora do GNT, Letícia Muhana, me ligou às 6h da tarde da sexta-feira, informando que o Paulo Francis havia almoçado com o Fernando Henrique e que ele lhe havia confidenciado de que sairia candidato por indicação do Itamar. Letícia achou, com razão, que tínhamos um super furo!

O GNT estava em lua de mel com a imprensa. Havia acabado de lançar o programa Manhattan Connection, com Lucas Mendes, Caio Blinder e Nelson Motta. Os programas eram gravados todas às sextas-feiras, às 9h da manhã, no prédio da Reuters, onde Lucas mantinha (ou alugava espaço) a produtora TBN. Anos mais tarde, conheci a mulher de Francis, a Sonia Nolasco, que trabalhava na Globosat. Ela me disse que Francis acordava sempre muito bem humorado neste dia, pois adorava fazer o Manhattan Connection.

Pois bem. Imediatamente após saber da informação pela Letícia, combinei com ela que ligaria para algum dos meus contatos da imprensa de TV para passar a informação, tentando ao máximo relacionar o anúncio ao programa e ao GNT. Primeiro liguei para a Folha de S. Paulo, atrás da editora de TV. O jornalista que me atendeu foi super mal educado. Desliguei. Em seguida liguei para o Jornal do Brasil. O jornalista atendeu, super simpático, mas me deixou 10 minutos esperando na linha, enquanto eu o ouvia conversar animadamente com uma garota. Desliguei novamente. Foi quando tentei encontrar a Leila Reis, editora de TV do Estadão na época (atenção: estamos em uma época que ninguém tinha um aparelho de telefone celular). Atende o Zanin, simpaticíssimo, atencioso. Explicou-me que a Leila não estava mais, se ele poderia me ajudar. Cativou-me, fez aquilo que todo o bom repórter faz quando fareja uma boa informação. Falei, ele não acreditou no que ouvia. Percebi que anotava tudo, fazia-me repetir novamente. Ao final, pediu-me os contatos (nome, telefone), implorou-me para não desligar e, ofegante, saiu correndo. Quando voltou disse-me que não garantiria a citação (o GNT, o Manhattan …) mas que o assunto seria manchete de seis colunas da primeira página. O Estadão lançou a candidatura do Fernando Henrique Cardoso (o Francis produziu uma matéria em que descrevia o almoço).

Depois fiquei sabendo que o Zanin não gostava dele, pelo contrário, era super PT. Mesmo assim agiu de uma maneira impecável, profissionalíssima. Um grande jornalista. Este foi o maior furo que já passei até hoje! Sempre que eu o encontro rimos da situação. Moral da história? Um bom assessor perde o amigo mas não perde a piada. A informação que tínhamos era muito maior do que eu, o GNT e o próprio Zanin, considerávamos. O resto é material para historiador.

Volto ao livro. Entre as principais conclusões, Rodrigo enumera que “o assessor de imprensa ideal deve funcionar como uma extensão da redação, atendendo o jornalista sempre que este precisar, precisa conhecer o dia-a-dia dos veículos e saber qual o melhor dia e horário para enviar uma sugestão de pauta. O assessor deve também passar as informações completas e corretas, pois o jornalista não tem muito tempo para checá-las. E que não deve enviar jabás aos colegas de redação, insistir na publicação de notícias e não deve recorrer à malandragem, ou seja, mentir para conseguir um espaço no jornal”.

Estou curioso para ler a obra. Acompanho as idéias do rabino escritor Nilton Bonder. Em “Os Segredos Judaicos de Resolução de Problemas” somos apresentados a uma série de dimensões da realidade, que vão do mundo aparente ao universo das contradições e dos mistérios – as coisas não-ditas, os segredos percebidos por trás do mundo verbal. Em meus 30 anos acompanho os relatos de grandes jornalistas e muitas vezes me deparo justamente com as contradições e falhas no discurso destes luminares das palavras.

Rodrigo Capella é jornalista e escritor, atualmente trabalha na FirstCom Comunicação; seu email é contato@rodrigocapella.com.br. Interessados na obra podem comprá-la pela internet (http://clubedeautores.com.br/book/1281–Assessor_de_Imprensa).

Rodrigo, aqui está dado o recado. Parabéns pela iniciativa. E obrigado por me fazer lembrar daqueles bons tempos.

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