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Divagações sobre o caos na comunicação

29/01/2010

Os profissionais de comunicação – especialistas em interação e no processamento das informações – deveriam também voltar-se ao estudo da física para entender os fenômenos que cercam a nossa atividade. Física, por definição, é ciência exata, a catalogação e estudo de evidências e fatos concretos que determinam o universo em que vivemos.

Comunicação opera com informação e interação e o que move, o que realiza este processo, é a energia.

Uma das definições que me chamam a atenção é o estudo das partículas. A eletricidade é um fenômeno que ocorre na interação entre o núcleo e o elétron. O estudo desta atividade gerou várias máquinas e inúmeros aplicativos, na medida em que passamos a dominar o uso do magnetismo, da geração, condução e aplicação da energia. A energia atômica ocorre na interação de forças contidas no núcleo das partículas. A partição deste núcleo de maneira controlada gera uma energia enorme que tem sido utilizada pelo homem como fonte de produção de energia.

Em todas as situações descritas acima há o fenômeno da interação entre as forças. Por que certos planetas – para ficarmos em outra área da física, a newtoniana, de campo gravitacional – e o universo mantêm-se em constante situação de atração e repulsão, em um movimento constante, infinito, evitando mesmo que o planeta Terra seja tragado por um planeta maior ou expelido por um meteoro?

A teoria do campo gravitacional aí está para mostrar que na partícula ou na imensidão, há uma troca intensa de energia e de interação de forças. Forças invisíveis que só podem ser comprovadas por abstrações e analogias, conforme aprendi na leitura de biografias e relatos de grandes físicos (cito aqui a bio do Einstein, um calhamaço delicioso que li com surpresa e certa frustração, dada a profundidade de conceitos que apenas ouvi falar – “Einstein, Sua Vida, Seu Universo”, de Walter Isaacson, Companhia das Letras).

Voltando ao universo microscópico, ao mundo invisível, oculto, lembro que as partículas são de certa forma agnósticas em relação à sua própria identidade. A partícula, enquanto partícula, nada é senão uma simples partícula, composta por todos os elementos conhecidos – núcleo, próton, elétron etc. –, sendo unicamente energia ou matéria em estado puro. O conjunto codificado de partículas é o que define matéria como a conhecemos.

Uma pedra, por exemplo: é um conjunto de partículas dispostas de tal maneira que lhe confere a particularidade física de uma pedra. Qual é a diferença entre uma pedra e uma pessoa, sendo que ambas são constituídas do mesmo nano elemento, a partícula?

Pois são estas duas particularidades – energia e informação – que são comuns a todos. A energia é formada pela interação entre os elementos que formam uma partícula e informação é o que determina se o conjunto de partículas será água, égua ou fogo.

Estadistas, políticos, grandes profissionais de comunicação ou mesmo pessoas bem resolvidas, “zen”, enxergam ou sentem esta vibração. Percebem que por trás do mundo aparente, sólido, há forças que interagem violentamente, ondas e movimentos de energia das quais é praticamente impossível intervir, em um determinado momento.

Interação não se trata apenas de perceber que por trás de cada pessoa há um tipo diferente de energia, atração e repulsa. Trata-se de entender um mundo invisível, fantasmagórico, de probabilidades, o caos de onde emergem grandes oportunidades de conhecimento e de atenção.

Muitas vezes tenho me deparado em minha vida de comunicador que por mais que faça tudo direito, exatamente como se deve fazer, há estas forças – e não apenas políticas, psicológicas, religiosas ou econômicas, que também são importantíssimas. Até na obtenção de clientes: é só trabalhar, posicionar-se e ver por detrás das aparências. Acreditem, eles aparecem, a sorte é um dos elementos do caos.

Antes deste insight não entendia porque pessoas admiráveis tenham uma relação tão estreita no entendimento e consideração – palavra que significa “em acordo com os astros, com o sideral” – dos números, dos planetas, determinando estratégias políticas e sociais – não é à toa que os sociólogos estudam tanto os movimentos religiosos e populares como o Carnaval.

Claro. As massas, ou a opinião pública, devem ser estudadas de maneira científica, tendo como base pesquisas objetivas, quantitativas e qualitativas, com metodologia e conceitos. Achei, no entanto, importante compartilhar aqui uma nova e adicional maneira de análise da comunicação, da informação, da interação, da vida – algo tão misterioso quanto o universo que nos é cedido por tão poucos e maravilhosos anos.