Archive for the 'Assessoria de Imprensa' Category

Chocolates Katz: Art Presse é a assessoria de imprensa

05/05/2016

A Art Presse é a agência de assessoria de imprensa e relações públicas da Katz. Informações podem ser obtidas com Vanessa Rocha pelo email vanessa@artpresse.com.br ou pelo telefone (11) 3065-8413.

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Ricardo Braga: diretor da Art Presse

22/08/2011

Informações sobre o Ricardo Braga você encontra no site da Art Presse, www.artpresse.com.br.

O círculo imperfeito

10/12/2009

Os “agregadores de conteúdo” – como o Google, Yahoo e o Bing – são sistemas tecnológicos contemporâneos que nos auxiliam diariamente no processo de busca de informações úteis e práticas. Estes agregadores, no entanto, também têm sido utilizados de maneira danosa por alguns jornalistas brasileiros, principalmente aqueles afeitos à superficialidade e à falta de cuidado na apuração das informações.

O Google e outras empresas têm oferecido um modelo de negócios chamado “cloud computing”, algo como o oferecimento de uma série de serviços de softwares e armazenamento de dados remotamente. Estas empresas se comprometem a resguardar arquivos pelo menos por 10 anos. Lê-se “arquivos” como tudo aquilo que foi trafegado pelas máquinas – de emails enviados e recebidos a páginas de blogs e sites.

A busca pela perfeição, pela catalogação do conhecimento e abrangência do conhecimento são tentações antigas. O homem precisa de sistemas que o auxiliem na sistematização das informações na medida em que é impossível um só homem abarcar os principais processos de conhecimento. No passado foram criadas as enciclopédias, do  grego, eu-kuklos-paidea – o “círculo perfeito do conhecimento ou da educação”. No presente há a Wikipedia, de wiki, de rápido.

Isto tudo é ótimo mas tenho acompanhado aqui na Art Presse um fenômeno curioso. Jornais do interior do país publicam matérias do tipo “denúncia”, muito bem produzidas e repletas de citações e fontes. Em uma primeira leitura, fazem todo o sentido e nos levam , inclusive, a rapidamente tomarmos partido contra este ou aquele sujeito que foi foco da matéria.

Recentemente um destes jornais, bem pequenos mas com influência regional, publicou uma matéria negativa envolvendo um cliente que atendo. Fomos atrás para entender como e porque aquele tipo de reportagem foi produzida, métodos de apuração e – mais importante – por que não nos procuraram. A resposta: pesquisamos tudo no Google! Ou seja, o Google passou a ser a “fonte” destes “jornalistas”!

Há um fenômeno em comunicação que chamo de “bola de neve”. Significa o seguinte. Um jornalista publica uma matéria polêmica. Independente da matéria ter ou não fundamento, o assunto em questão é publicado por um outro jornalista, que cita a fonte (isso se chama tecnicamente de “pick up”), dando a devida chancela e ajudando a propagar a polêmica. Reputações podem ser destruídas rapidamente em função do poder da mídia. A comunicação via imprensa detona emoções, raivas, alegria, destemperos, ódios.

Situações como essa tem mudado, radicalmente, a vida e as atividades das agências de RP e assessoria de imprensa. Um dos instrumentos mais importantes de análise (“desk research”) e monitoramento das marcas, empresas e pessoas sempre foi o chamado “clipping”. Este serviço consiste na leitura, classificação e recorte de uma notícia publicada em um veículo impresso. Após este trabalho, os recortes são analisados e enviados aos clientes.

Nos últimos anos, o trabalho de monitoramento das notícias tornou-se mais complexo, muito mais interessante e produtivo com o surgimento da Internet. Agora, as empresas que realizam este tipo de trabalho – as clipadoras – podem enviar as notícias em formatos eletrônicos e catalogados.  E mais: esta tarefa ficou mais complexa porque agora, além da mídia “tradicional”, há também o monitoramento do mundo digital, muito maior, variado e com enorme número de agentes. 

“Novas mídias” apareceram no radar das agências – desde a imprensa online, aos portais de sites (como o UOL, Terra, Ig, Globo.com), portais de notícias (G1, R7 etc.), redes sociais, fóruns e blogs. E, claro, há os “agregadores de conteúdo”, como explicado acima.

Curiosamente, o mesmo Iluminismo que produziu a luz das enciclopédias também produziu a treva. Um dos livros que mais me impactaram na adolescência foi “Bel Ami”, de Guy de Maupassant. Neste livro, vemos que os jornais eram produzidos basicamente como instrumentos de captação de dinheiro, anúncios e comissões, sendo que a notícia era apenas um ingrediente de achaque ou pressão. Algo parecido com que já havia lido em “Ilusões Perdidas”, de Honoré de Balzac, que também mostra o lado podre do jornalismo político.  

Mais uma vez as agências de RP e imprensa serão chamadas para administrar este tipo de crise indelével – matérias produzidas a partir do nada, do etéreo, do virtual. Situações que mancham reputações, de pessoas inocentes a pessoas nem tanto.

Agora sabemos que as notícias negativas estarão sempre por lá, nos “agregadores de conteúdos”, por décadas conspurcando e vilipendiando. Conceitos técnicos como esses são bonitos e vendedores mas luzes amarelas  – sempre elas! –  acendem um perigoso círculo imperfeito para todos aqueles que trabalham nesta área.

Falar ou não falar com a imprensa?

30/08/2009

Sou um empresário de comunicação que atua há muitos anos nas atividades de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. Sou sempre o primeiro a sair em defesa da liberdade de expressão e da importância de um jornalismo livre e sem amarras. Mas o que fazer quando aparecem situações inesperadas e fora dos manuais do jornalismo das quais todo o profissional, pelo menos uma vez na vida, tem de lidar?

 Tive recentemente uma reunião com o presidente de uma grande companhia (sem nomes, por favor)  que sofreu o assédio da imprensa em uma situação inusitada. A empresa não havia feito nada de errado, estava absolutamente em dia com as suas obrigações. Mesmo com todos os meus (bons) argumentos e histórico de empresas que haviam passado pelo mesmo constrangimento não houve jeito. Ele estava disposto a agüentar a pressão e esperar para que o assunto desaparecesse (o que aconteceu dias depois). E me contou uma história.

 Um dia ele recebeu a ligação de um grande amigo, dono de uma construtora. Disse-lhe que havia adquirido um grande terreno em S. Paulo e que o mesmo receberia uma incorporação em formato de torres residenciais. Tomou todas as precauções. Entrou em contato com a prefeitura de S. Paulo, pediu indicação para o melhor cartógrafo para que ele realizasse todos os estudos de demarcação do terreno, tudo absolutamente de acordo com a lei e com as regras de uma ocupação responsável, com respeito ao ambiente, conforme sempre fizera.

 Ao finalizar a construção foi informado de que a incorporação estava “errada” – que uma área nativa de 200 metros quadrados havia sido delimitada de maneira irregular. O empresário mostrou toda a documentação aprovada, que havia sido realizada por cartógrafo indicado e autorizado por eles. Alguém, evidentemente, queria um “empurrão” para aprovar o “habite-se”.

 A situação começou a sair do controle quando um dos compradores, justamente uma consumidora inadimplente – que havia pagado apenas três prestações iniciais – que foi à imprensa e reclamou que a incorporadora havia lhe enganado, que não podia mudar-se e que não tinha para onde ir. O empresário recebeu uma ligação de um programa “jornalístico” de uma grande rede (formato que combina repórteres improvisados e engraçadinhos com políticos e personalidades) que gostaria de lhe entrevistar para “esclarecer” o caso.

 O empresário ligou para o presidente desta empresa que me contou a história. Pediu-lhe para perguntar o que fazia:

– Eu os atendo ou não?, perguntou o incorporador.

– De forma alguma, respondeu o executivo. Eles não querem esclarecer nada. Querem explorar o assunto, querem audiência.

– Mas eu não tenho o que temer!, retorquiu. Tenho tudo a meu favor. Só não poderei dizer que há alguém na Prefeitura que quer cobrar para me dar o “habite-se”, mesmo tendo eu feito tudo direito, dentro dos conformes …

– Não recomendo.

– Você me disse que conhece a direção da TV. Fale com eles, explique-lhes a verdadeira situação …

– Desculpe, mas o melhor é você não os atender. De nada adiantará falar com eles.

– Então está bem. Tenho outra idéia. Estudei com o apresentador em uma faculdade de Engenharia, quando ele lá esteve por um ano. Me pareceu ser um cara legal, decente. Vou ligar para ele e explicar-lhe. Tenho certeza que ele entenderá e produzirá uma matéria equibilibrada …

– Não faça isso. Você se arrependerá.

 A conversa terminou. O executivo achou que ele aceitaria a sua recomendação. Dias depois, soube o que aconteceu. O incorporador, de fato, ligou para um dos apresentadores, que foi super receptivo, entendeu a questão e deu-lhe uma idéia. Ele o receberia na redação do programa na TV onde poderia explicar toda a situação.

 No dia marcado, três ou quatro horas antes do encontro agendado, a secretária do incorporador, em pânico, lhe avisa que a “reportagem do programa” estava na recepção da empresa. Imediatamente, o incorporador chama o seu sócio, um executivo mais calmo e sem  envolvimento emocional com o problema, e combina que ele atenderia a reportagem.

 Ao recebê-los surpreende-se com a equipe de reportagem em tom persecutório ao lado daquela compradora de um dos imóveis, com um bebê no colo, em prantos e acusações contra empresários desonestos e desalmados etc.

 O resultado foi um desastre. Em termos de imagem da incorporadora, em termos pessoais (o sócio que atendeu à reportagem teve de ser internado, por problemas nervosos).

 Volto à reunião com o executivo. No meio da conversa argüi, em tom de blague, que ele deveria ter indicado a minha agência para administrar a crise. Mas é claro que saí da reunião incomodado com a história que havia acabo de ouvir.

 Continuo firme na convicção de que chamar especialistas de uma agência de RP é o melhor procedimento para administrar graves crise de imagem como a da incorporadora. Há maneiras e maneiras de atender à imprensa – desde comunicados e “notas” à outras ferramentas.

 Há 30 anos acompanho e administro o calvário de algumas delas em crises de comunicação. Todas as vezes me espanto com o despreparo de alguns repórteres e com a clara (má) intenção de destilar alguma raiva contra o “capitalismo selvagem” representada por algumas grandes empresas (não mencionarei aqui a grande maioria jornalística que exerce um trabalho equilibrado e que tem a sua importância e relevância reconhecida pela sociedade).

 Todo o RP passa por situações muito difíceis, pois fica no meio das pressões – entre a imprensa e os diretores de uma empresa, que acham que basta falar a verdade (que muitas vezes não pode ser dita na sua completude, quando há tentativa de suborno envolvida) para que a imprensa entenda. E não compreendem quando tudo sai o oposto do que imaginavam.

 Como explicar para estes empresários sobre programas que se apresentam como “jornalísticos” quando na verdade são comediantes da tragédia alheia, justiceiros travestis, arautos da verdade? Que jornalismo é esse?

 Ora, dirão, desde que a imprensa é imprensa – leiam “Bel Ami”, de Guy de Maupassant para entender o que estou querendo dizer – há a exploração do contraditório, do exagero, da amplificação da tragédia em cujos elementos há a adição de repórteres jovens e justiceiros com editores céticos e interessados tão somente na finalização de seus materiais.

 Passo a palavra aos colegas que acompanham este blog. O que você faria em uma situação como essa?

A pedido do Rodrigo Capella

04/05/2009

Vou escrever sobre um livro que não li, de um autor que não conheço. Como assim? É que recebi um pedido do Rodrigo Capella, que acaba de lançar o livro “Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa notícia” (Clube de Autores, 157 páginas, R$ 30,35).

Este blog, Doutor Spin, foi lançado em março, ou seja, há dois meses, e já chegou a 1.200 acessos, para a minha surpresa. Não imaginava que o assunto “comunicação corporativa” tivesse tanta audiência. Por este motivo abro espaço para fazer o aviso para este nosso colega.

O release que o Rodrigo me enviou informa que o livro é “resultado de uma tese homônima que autor apresentou na PUC-SP em sua pós-graduação, em trabalho coordenado pela professora-doutora Marli dos Santos. Traz um estudo baseado em pesquisas e entrevistas com relações públicas, jornalistas, assessores de imprensa e estudiosos de comunicação, tais como Bernardo Kucinski, Inácio Araújo, Lauro Jardim, Luiz Zanin Oricchio, Manoel Carlos Chaparro, Nelson Blecher e Paulo Nassar, entre outros”.

Abro um grande parêntese. Destes jornalistas, além do Nelson Blecher, conheço bem o Zanin. Foi ele que publicou em 1994, a matéria em que anunciava que o então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, seria candidato a presidente por indicação (ou simples apoio) do Itamar Franco, presidente da República na época.

Eu era assessor de imprensa da Globosat, quando a diretora do GNT, Letícia Muhana, me ligou às 6h da tarde da sexta-feira, informando que o Paulo Francis havia almoçado com o Fernando Henrique e que ele lhe havia confidenciado de que sairia candidato por indicação do Itamar. Letícia achou, com razão, que tínhamos um super furo!

O GNT estava em lua de mel com a imprensa. Havia acabado de lançar o programa Manhattan Connection, com Lucas Mendes, Caio Blinder e Nelson Motta. Os programas eram gravados todas às sextas-feiras, às 9h da manhã, no prédio da Reuters, onde Lucas mantinha (ou alugava espaço) a produtora TBN. Anos mais tarde, conheci a mulher de Francis, a Sonia Nolasco, que trabalhava na Globosat. Ela me disse que Francis acordava sempre muito bem humorado neste dia, pois adorava fazer o Manhattan Connection.

Pois bem. Imediatamente após saber da informação pela Letícia, combinei com ela que ligaria para algum dos meus contatos da imprensa de TV para passar a informação, tentando ao máximo relacionar o anúncio ao programa e ao GNT. Primeiro liguei para a Folha de S. Paulo, atrás da editora de TV. O jornalista que me atendeu foi super mal educado. Desliguei. Em seguida liguei para o Jornal do Brasil. O jornalista atendeu, super simpático, mas me deixou 10 minutos esperando na linha, enquanto eu o ouvia conversar animadamente com uma garota. Desliguei novamente. Foi quando tentei encontrar a Leila Reis, editora de TV do Estadão na época (atenção: estamos em uma época que ninguém tinha um aparelho de telefone celular). Atende o Zanin, simpaticíssimo, atencioso. Explicou-me que a Leila não estava mais, se ele poderia me ajudar. Cativou-me, fez aquilo que todo o bom repórter faz quando fareja uma boa informação. Falei, ele não acreditou no que ouvia. Percebi que anotava tudo, fazia-me repetir novamente. Ao final, pediu-me os contatos (nome, telefone), implorou-me para não desligar e, ofegante, saiu correndo. Quando voltou disse-me que não garantiria a citação (o GNT, o Manhattan …) mas que o assunto seria manchete de seis colunas da primeira página. O Estadão lançou a candidatura do Fernando Henrique Cardoso (o Francis produziu uma matéria em que descrevia o almoço).

Depois fiquei sabendo que o Zanin não gostava dele, pelo contrário, era super PT. Mesmo assim agiu de uma maneira impecável, profissionalíssima. Um grande jornalista. Este foi o maior furo que já passei até hoje! Sempre que eu o encontro rimos da situação. Moral da história? Um bom assessor perde o amigo mas não perde a piada. A informação que tínhamos era muito maior do que eu, o GNT e o próprio Zanin, considerávamos. O resto é material para historiador.

Volto ao livro. Entre as principais conclusões, Rodrigo enumera que “o assessor de imprensa ideal deve funcionar como uma extensão da redação, atendendo o jornalista sempre que este precisar, precisa conhecer o dia-a-dia dos veículos e saber qual o melhor dia e horário para enviar uma sugestão de pauta. O assessor deve também passar as informações completas e corretas, pois o jornalista não tem muito tempo para checá-las. E que não deve enviar jabás aos colegas de redação, insistir na publicação de notícias e não deve recorrer à malandragem, ou seja, mentir para conseguir um espaço no jornal”.

Estou curioso para ler a obra. Acompanho as idéias do rabino escritor Nilton Bonder. Em “Os Segredos Judaicos de Resolução de Problemas” somos apresentados a uma série de dimensões da realidade, que vão do mundo aparente ao universo das contradições e dos mistérios – as coisas não-ditas, os segredos percebidos por trás do mundo verbal. Em meus 30 anos acompanho os relatos de grandes jornalistas e muitas vezes me deparo justamente com as contradições e falhas no discurso destes luminares das palavras.

Rodrigo Capella é jornalista e escritor, atualmente trabalha na FirstCom Comunicação; seu email é contato@rodrigocapella.com.br. Interessados na obra podem comprá-la pela internet (http://clubedeautores.com.br/book/1281–Assessor_de_Imprensa).

Rodrigo, aqui está dado o recado. Parabéns pela iniciativa. E obrigado por me fazer lembrar daqueles bons tempos.