Brazil, o case final

30/03/2009

A newsletter eletrônica “O´Dwyer´s Weekly PR Report”, de 24 de março, estampa o título “Fleishmann-Hillard divulga o Brasil” (em inglês, “FH Buffs Brazil”) e o subtítulo “Fleishman-Hillard is doing global image work for Brazil under a lucrative pact” – veja abaixo.

A agência realizará um trabalho de imagem global de RP para o Brasil, segundo a nota, em um contrato anual estimado em 850 mil dólares. A F-H será responsável em produzir relatórios de visibilidade (estudo de clipping) e contatos com a mídia, comunidade acadêmica e investidores em um momento em que o país sofre um dos piores reveses econômicos na última década, informa a newsletter, que completa: “este declínio ameaça o legado do populista presidente Luis Inácio Lula da Silva que deixará o governo no próximo ano” (vejam a íntegra da matéria, abaixo).

O trabalho de monitoramento da F-H foi (provavelmente) encomendado pela agência de comunicação CDN, responsável pela conta de comunicação institucional do Brasil (isto não foi mencionado na nota). Isto é muito comum na área de comunicação: as agências repassam trabalhos ou solicitam jobs todas as vezes que é preciso, operam em parcerias. Não faz sentido econômico montar escritórios ou equipes de RPs fora do Brasil, quando é possível contratar empresas que atuam na mesma área.

A boa notícia é que finalmente os governantes brasileiros descobriram as Relações Públicas como instrumento de divulgação. Lembro-me quando a Secom, secretaria de comunicação ligada diretamente à presidência da República, contratava agências de publicidade para realizar ações de Relações Públicas. As agências de publicidade, por sua vez, contratavam outras agências de RP ou de comunicação em geral para produzir desde livros sobre o país à ações de marketing direto. Alguém acredita que uma campanha de publicidade possa mudar a imagem do Brasil? Publicidade é uma disciplina da comunicação adequada para vender produtos de varejo, para comunicar benefícios ou esclarecer situações pontuais – não para criar ou manter reputação.

As coisas agora mudaram e para melhor. O governo brasileiro não só contratou uma agência especializada, a CDN, que é do ramo, como também uma agência digital, a TV1.Com, para cuidar da imagem do Brasil nesta mídia (sites, blogs, redes sociais e fóruns).

Sempre considerei que a cultura brasileira – refiro-me à música – é a melhor estratégia de RP que o Brasil poderia ter tido e teve. Regularmente recebo estrangeiros em visita ao país e fico surpreso quando me perguntam sobre locais para assistir a uma escola de samba … em S. Paulo (conheço a referência da ótima escola da Casa Verde). Não é um lugar que um paulistano típico freqüenta. Mas o mundo todo aprecia – e percebe – a música brasileira, desde que a Bossa Nova nos levou a um lugar de reconhecimento cultural.

Outra boa estratégia de RP são as novelas e miniséries da Globo. As imagens captadas do Rio de Janeiro em produtos como “Paraíso Tropical” ou do Pantanal, como “Paraíso”, são estonteantes. Estes conteúdos audiovisuais – explosão de cores, contrates, plástica pura – vendem metrópoles com natureza, natureza com pessoas encantadoras, firmes em suas inocências e fazem mais do que mil anúncios. O governo brasileiro poderia considerar a realização de “product placement” nas novelas da Globo.

A questão, um país que contrata uma agência de RP, levanta uma série de perguntas: como trabalhar o RP do Brasil, uma nação que mistura a riqueza de uma Bélgica com a pobreza da Índia? Como trabalhar a comunicação de um país que apresenta uma taxa de mortalidade por armas de fogo maior que o Iraque, um país em guerra? Como desenvolver ações de RP para equacionar a grave questão da segurança nas grandes cidades, como seqüestros relâmpagos e assaltos à mão armada em plena Linha Amarela, saída do aeroporto do Rio de Janeiro?

Nem citarei aqui a imagem do político brasileiro, ligada à corrupção. “Este não é um país sério” – uma das frases mais lapidares que já foi feita e que resume um histórico do Brasil de não- realizações (dizem que a frase é atribuída à Charles De Gaulle, general, primeiro ministro e presidente francês).

Este deve ser um desafio enorme e fascinante, que certamente combinará uma série de estratégias de comunicação tanto da CDN como da F-H e que um dia, quem sabe, conheceremos. De antemão, desejo boa sorte aos colegas. Este sim, será um case e tanto.

 

F-H BUFFS BRASIL

Fleishman-Hillard is doing global image work for Brazil under a lucrative pact

 

24 março 2009

 

Fleishman-Hillard is doing global image work for Brazil under an estimated $850K pact inked by the country’s social communication secretariat.The work includes contacting media, academicians and investment analysts about “economic development and overall country image of Brazil,” according to the Omnicom unit’s federal filing.F-H springs into action as Brazil suffers its biggest slide in growth in a dozen years, according to Reuters. That decline threatens the legacy of populist President Luis Inacio Lula da Silva, who is stepping down next year. Lula said March 23 that the worst is over and that Brazil is poised for a sharp comeback.Under the contract, F-H is to have dedicated Brazil teams in Brazil, the U.S., Asia and Europe.

F-H is require to issue reports that show the “evolution of Brazil’s public exposure in quantitative and qualitative terms, not limited to analyzing if the publication is positive, negative or neutral.”

 

The firm is to rate placements based on the importance of the information, audience of the media and the reputation of the reporter/columnist/editor.

Anúncios

3 Respostas to “Brazil, o case final”


  1. Com certeza este é um grande desafio, já que muitos países têm uma imagem estereotipada do Brasil. Muito distante da realidade, tanto dos pontos positivos, como dos negativos. Um desafio realmente empolgante.

  2. Mateus Says:

    Ola Doutor Spin, descobri este blog na comunidade de RP do orkut e vim conferir. É um dos melhores blogs que falam sobre RP/Comunicação que já li (e já li alguns). Vou assinar teu feed para poder acompanhar sempre as atualizações.

    Sobre o texto, como citou o comentário acima, a image esteriotipada do Brasil é um fato e este trabalho poderá mapear este cenário. E antes de gerar expectativa nos gringos é melhor aprimorar alguns serviços básicos aqui no Brasil.

    Mateus d’Ocappuccino

    • doutorspin Says:

      Caro Mateus,

      Agradeço o seu comentário. Espero manter o nível de qualidade nos comentários. Vamos acompanhar o trabalho dos nossos colegas. Sabemos que RP é o “século das luzes”, onde o tempo é fundamental para a sedimentação das reputações. Abs,


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: